A gente estava comentando a impressão do público, a identificação que naquele momento do show o público cria com o músico, aquele wannabe que faz com que naquelas horas o público viva exatamente a idéia que ele tem do músico no palco, todo o desprendimento, desenvoltura, falta de vergonha na cara que é a vida de quem faz arte.
Comentamos que essa impressão, esse feedback depende da veracidade da manifestação do artista. Não adianta pular, o negócio é como se pula e não o pular em si.
Se aquela manifestação, aquele pulo, aquela careta, aquele grito vierem do sentimento de quem tá fazendo, o cara atinge o público, num vai e volta que ninguém entende, nem quem pula e nem quem é pulado, quer dizer, isso só acontece se quem produz ou reproduz música sacou a pegada do negócio, se envolveu com aquilo de uma forma que passou a ser aquilo. Diga o que quiser, mas guitarra não toca, quem toca é o guitarrista, a pecinha que empunha aquele pedaço de pau com meia dúzia de arames transversais manda no negócio, de fato produz o som.
De duas uma, ou o cara acredita e vive o que ele está fazendo ou não rola.
Com argumentos dá pra mentir, com um instrumento na mão não.