Desde o começo da campanha, os candidatos tidos como "menores" insistem na desigualdade do tempo do horário eleitoral e na falta de convite para os debates.
É verdade que o sistema de difusão melhorou bem, antigamente as campanhas compravam estes horários na televisão, rádio e etc, então algo que se reclama hoje já foi muito pior, o que não é desculpa.
O que tem acontecido não é diferente do que sempre acontece em todas as esferas do relacionamento "política/povo", arrumaram uma forma de manter tudo como sempre foi, agora com a vantagem que ninguém mais tem que pagar, mas também não todo mundo que tem.
O negócio é a tal coligação, a farra do dar as mãos, primeiro que as esferas não precisam obedecer a mesma linha uma da outra, então não é porque o PV coligou com o PT, hipotéticamente, na esfera estadual que a mesma coligação precisa acontecer na esfera federal, tudo isso por exemplo. O fato é que fazer isso é pegar a Constituição e jogar fora, aliás, isso já deveria ter sido feito há muito tempo, cobra-se do povo coerência no voto, mas não existe coerência no sistema.
Se é fato que o indivíduo candidato nada mais é do que a pessoalidade de um partido, ou seja, quando se escolhe fulano ou beltrano, na verdade se escolhe uma ideologia partidária e não individual, como se quer fazer crer, disso se vê varias coisas: 1. Não adianta votar na Dilma pra Presidente e no Anibal pra governador, a menos que o que se queira seja dificultar o trâmite das leis por exemplo, o que já é demais difícil.
Não importa o nome, importa o partido, é de um partido que se faz política, de uma idéia comum, se todos concordassem com o "governo" que tal Estado deveria ter, o "todo" não teria se "partido" e não precisaríamos votar em uma idéia, mas sim nomear que conduziria o governo, aí sim, seria algo pessoal, mas primeiro precisamos determinar o rumo, o governo, dentre todas as partes, todas as idéias disponíveis.
Eu insisto na idéia de que a troca de responsabilidade não leva ninguém a lugar algum, dizer que o sistema eleitoral é falho e que ele precisa mudar é parte verdade, porque o sistema é ótimo, acontece que ele é muito bem utilizado para confundir quem vota, porque quem vota não procura saber nem pra que vota e muito menos pra que serve votar, acha que "não adianta nada, tudo vai continuar como sempre foi" e essa é exatamente a idéia que vem sido difundida no decorrer do tempo, pra dizer a verdade, eu acho que nem os que se aproveitam desta cultura do "tudo vai ser como sempre foi" sabem que não precisa ser, as gerações vão e vem em todas as classes sociais e em todos os seguimentos da sociedade, um dia alguém se aproveitou do povo de propósito, hoje o que existe é uma manutenção de um sistema corrompido por pessoas tão tapadas quanto as enganadas.
A coisa tomou proporções tão interessantes que todas as respostas para as inquietudes eleitorais estão escancaradas, mas o costume é tão forte e tão presente que passa pelos olhos sem perceber.
Já disse em outro post que os planos de governo de todo candidato que tenha um inicio de integridade estão disponíveis, pra quem quiser ler, ninguém lê, quem não lê reclama porque não está feliz mas nem sabe de que, quem reclama sem motivo real nunca é ouvido e o ciclo se repete.
Eu passei um tempinho logo depois do debate de ontem a noite lendo alguns posts dos blogs mais abalizados que eu conheço e o que eu vi foi deprimente, tão deprimente quanto o debate.
Não é possível que quem tenha visto o debate não tenha visto que as únicas pessoas realmente interessadas em um debate político era o Plinio e a Marina, o Serra e a Dilma trocaram farpas e falaram do que foi feito por um e por outro e muitas destas coisas são mentirosas, quer dizer, todo mundo mete o pau no Maluf e quem não vota nele não é capaz de reconhecer em outro os mesmos defeitos.
Confesso, até quebrando o sigilo do voto, que até agora meu voto é da Dilma, muito embora tenha visto atualmente uma série de falhas que tem me dado a vontade de mudar pra Marina, que é MUITO mais coesa.
Plinio e Marina levam em consideração ideologia política, certa ou errada é fundamentada, eles sabem o que planejam e tem um meio pra isso, se vai dar certo ou não é outro problema. Eu gosto muito e estou muito satisfeito com o governo do Lula, quem fala mal não entende que governo de política fiscal não é aparente e que se as cargas ainda são altíssimas, não se muda 500 anos de história em 8 anos e nem nos próximos 8, quem espera isso, quem promete isso e quem se pauta nisso vai se decepcionar, as mudanças são cíclicas e pra quem já estudou história uma vez na vida sabe que as mudanças sociais demoram décadas para acontecer.
Realmente trocar farpas, como bem lembrou a Marina, é um deserviço, andar pra trás, é dizer que o país que tem mais recursos no planeta não sabe e não se preocupa com a escolha de seus dirigentes e isso é atestado pelo povo quando vai à urna. E que depois não se reclame de nenhuma medida que seja tomada, nem por governante e nem pelos Estados por aí afora.
Pra quem não sabe o Brasil despontou nos últimos 8 anos, isso não se diz na campanha porque não é interessante, mas o que vale deste governo não é só ter tirado sei lá quantos milhões da linha da miséria, mas é fazer o Brasil ser bem visto aí afora, é saber que nosso dinheiro vale e hoje em dia é medida, que quando o mundo inteiro entra em crise o Brasil tem peito de segurar e se por aqui foi dito sobre "os efeitos da crise", isso é coisa de meio-intelectual que lê a Veja.
Vamos ver direito em quem vamos votar, o voto vale muito sim e mais que ele vale saber porque votou em quem votou, a Marina e o Plinio, falo deles fundamentalmente porque os demais dos pequenos entram quase como os grandes ao contrário, não fundamentam, querem redução de jornada de trabalho, da carga tributária e o aumento do salário mínimo pra sei lá quantos mil reais, isso é ridículo.
Jamais nos saia da cabeça que quem trabalha com a veiculação das propagandas são pessoas estudadíssimas, que conhecem o que nos atinge e é o trabalho deles nos convencer, eles conseguem, não se enganem, eles são muito bons, cabe a nós procurar o que é palpável, eleição não é brincadeira, depois não da pra reclamar.