segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Pra quem acha que não muda o mundo

Eu sempre ouvi dizer que ninguem pode mudar o mundo. Ao mesmo tempo eu vejo as mesmas pessoas comentando as mudanças do mundo. Como? Quem mudou o mundo se ninguem é capaz?

Nós vivemos olhando pro nosso mundo particular, cheio de fatos e verdades acumulados das nossas experiência e da interpretação do contexto baseada nessas experiências, seja este contexto esse mesmo mundo, mas dos outros, ou no acumulo de todos esses mundos, a sociedade.

Se considerarmos que em um primeiro cada atitude determinará o futuro desses mundos individuais ou uma parte dele, quer dizer, efetivamente a determinante será a soma dessas atitudes, em um próximo momento o futuro desses mundos determinará o caminhar do contexto, a sociedade.

De forma simploria, na verdade é impossível viver em sociedade e não contribuir com o caminhar dela. O governo, o volante do carro-sociedade, está nas mãos do todo já que cada atitude individual, no fim das contas determinará a direção desse volante, quer o individual queira ou não, pois admitir isto é admitir que ainda a omissão já é uma posição, que determina a inércia do sujeito em relação ao todo. O costume, que se normatiza ou não, vem do tal acordo social, que é silencioso, se desdobra no tempo de forma tão sutil que quem acorda o faz sem saber. A complacência é tão cega, tão mecânica que até o aprendizado desse acordo, se há padrão social já é acordo, é inconsciente, tanto o aprendizado como o magistério.

O saber fundamental é saber como organizar e integrar o saber, de forma que cada um se encontre em uma rede lógica mas jamais se confundam, pois não saber o que fazer com o conhecimento é mais prejudicial do que a falta dele, em se tratando de sociedade de seres intelectualmente ativos, seja de forma comissiva ou omissiva. Fazer errado soma, já que se contrapõe ao socialmente certo, não fazer, por mais que altere o resultado final, não vai de encontro a esse certo, a menos que tal padrão mande agir, pois aí a omissão passa a ser o errado desafiador.

É fundamental, portanto, que a absorção e subordinação à ordem social seja consciente, já que o assunto é o convívio e o produto de um confronto isolado de dois daqueles pequenos mundos, quer dizer, as relações interpessoais, pode produzir uma infinidade de resultados, que só saberá lidar de forma adequada (considerando aquela cadeia de mundos exposta) aquele que não só conhece mas compreende a ordem social de forma a adequada a qualquer situação, já que prever e se preparar, nesse caso, implica reunir o maior número de fatores que determinará tal resultado.

De qualquer forma, ponto inicial é o papel do individual na alteração do todo, começando, inclusive, pela possibilidade de isso acontecer, e, depois desta primeira reflexão, surge um aspecto interessante: O que leva o individuo que contribui mesmo sem vontade para essas alterações afirmar porque acredita que uma andorinha não faz verão?

Admitimos que o produto do todo será determinado pela soma individual. E se um ou alguns desses individuais se preocupar em agir de forma a manipular a atitude alheia?

Haveria um padrão de ações, um costume, um contrato social. Eis a resposta, a impressão de que apenas alguns indivíduos determinam o caminhar do todo vem, na verdade, da obediência a um padrão imposto pela manipulação da ação coletiva, da confirmação sucessiva de uma atitude manipulada pela inconsciência gerada por outro contrato social, este de fundamento: obedecer aos contratos sociais. É aqui que tudo se encontra. A consciência do movimento social impede que o individuo contribua mal a esse movimento, de forma operária. A compreensão de que a opinião de fulano e a do jornal, da tv, no fim das contas é a mesma coisa, opinião. E aí morre um conceito sujo, que escolhe aristocraticamente um grupo "formador de opinião", já que quem conhece o movimento social entende que todos formam opinião, indistintamente, sendo esta opinião a soma de todo saber acumulado em cada um, resultando uma opinião original dele, ou uma cópia da opinião que é absorvida como verdade.

Disso surge um exemplo, se chama poder a influencia imperativa e impositiva de um, ou um grupo ao todo. A forma de aquisição desse poder já mudou diversas vezes na história das sociedades modernas e antigas, mas há um padrão revelado pela parábola que ilustra a vida dos impérios, em que há a ascensão, o auge, a decadência e a sucumbencia que da espaço a um novo, e aqui um detalhe importante, governo do todo.

Ora, sendo pela força bélica, economica ou da mídia (nos nossos tempos), o que determina o movimento social é a manipulação do contrato social que justificará o movimento, pois o movimento social depende da conjunção individual.

É uma questão de ponto de vista, se ao invés de acreditar que o poder econômico é a ferramenta do movimento, acreditamos que alguém controla uma quantia que, como acordado socialmente, é capaz de dar o título de possuidor da veiculação de um pensamento que, por mais massivo que seja, ainda é opinião, a atitude de quem ouve se torna consciente e o resultado disso é a tão sonhada igualdade social, pois o futuro do todo se torna o produto da posição de todos, igualmente. O pensamento e o livre posicionamento iguala todos indivíduos fatalmente. Igualdade social não é simplesmente dar o mesmo status social a todos, mas possibilitar que todos particípem do desenvolvimento social. Engana-se quem busca isso de outra forma senão o livre posicionamento consciente. Só ele resulta no que se busca de qualquer outra forma.

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